“A máquina do ódio”, o instigante livro da jornalista Patrícia Campos Mello

JM Cunha Santos

Não consigo parar de ler. Todo animal político – o universo inteiro dos bichos racionais, precisa ler este livro. Para melhor compreensão do grau de banditismo político que assaltou o Brasil, para saber que toda reputação pode ser desidratada, posto que dignidades, honra, comportamento social, podem ser destruídos por toques, curtidas e compartilhamentos nas galáxias digitais,

No meio ambiente dos bots, no hemisfério pagão dos trolls, no universo dos sistemas automatizados, a honra de homens e mulheres é um detalhe que a desinformação e a notícia falsa consomem e matam impunemente. A jornalista Patrícia Campos Mello mostra em A máquina do ódio (referência ao “gabinete do ódio”dos Bolsonaro) que é impraticável desmentir o linchamento virtual, que a sua ou a minha verdade, ou a de qualquer vítima, deixa de existir depois que inundam as redes sociais com infamações e ameaças e que é também impraticável identificar seus autores.

Ela mesma, Patrícia, foi tratada de “vagabunda sem-vergonha”, num vídeo em que sua foto aparecia ao lado do então candidato Alexandre Frota, depois de denunciar o disparo em massa de mensagens contra Fernando Haddad, candidato do PT em 2018. Numa série de reportagens, a jornalista denunciou que empresários contrataram agências de marketing (até na Espanha) para disparar milhões de mensagens e influenciar o resultado da eleição. A máquina do ódio não perdoou: “Se você quer a segurança do seu filho, saia do país. Não é uma ameaça, é um aviso”, postaram no facebook. Bandidos ameaçando uma criança de 7 anos.

Mas não é apenas o ódio o que o livro denuncia. É o ódio organizado, vendido e comprado, investido em futuros políticos, em negociatas com recursos públicos. Uma engrenagem de luxações morais que, por exemplo, atingiu Marina da Silva em sua postura como mulher, que trucidou o cadáver da vereadora assassinada Marielle Franco, ao reproduzir, até a exaustão de 360 mil compartilhamentos, os comentários da desembargadora Marília de Castro Neves no facebook, segundo os quais Marielle estava engajada com bandidos, havia sido eleita pelo Comando Vermelho e que teria sido morta por descumprir obrigações com a organização criminosa. Dá vontade de vomitar.

Leio o livro e caio. Eu posso, qualquer um de nós pode, nesse território de desinformações criptografadas, deixar de ser uma realidade ou me transformar em outra realidade que eu não sou.

É brutal. Agências de marketing vendendo em sites cadastros com milhões de números de celulares atrelados a cpfs, títulos de eleitor, perfil social e econômico, no objetivo criminoso de elevar a imagem do cliente ou descontruir nas redes sociais a quem quer que esse cliente indicasse. “O meu e o seu número de celular, de título de eleitor e até nossa faixa de renda podiam estar à venda, sem nossa autorização”, escreve Patrícia Campos Mello.

É preciso ler o livro para se ter ideia do tipo de escória humana que está no poder ou que levou Jair Bolsonaro ao poder, a gente que construiu A máquina do ódio. Não consigo sequer adjetivar o vídeo Jornalista da Folha, nem o vídeo nem seus autores, de tão humilhante que é para com as mulheres deste país e ao qual Patrícia Campos Mello faz referência no livro. Foi postado em fevereiro de 2020, teve mais de 278 mil visualizações no canal Hipócritas, do Youtube, com 803 mil inscritos e 615 mil visualizações na página bolsonarista Movimento Conservador. Terrível e delituoso poder dos canibais na internet.

O livro, está na orelha, é a história resumida de como uma repórter se tornou alvo de uma violenta campanha de difamação e intimidação estimulada pelo “gabinete do ódio” e suas milícias digitais. Mas é também uma dissertação sobre a construção de um horror moral contra os brasileiros, a partir da manipulação mercenária das redes sociais e um libelo em defesa da verdade e da informação. Para mim, mais um alerta sobre o ódio em carne viva que hoje governa o Brasil.

Caso Witzel: Bolsonaro estrutura sua polícia política e dá início à temporada de caça aos governadores

Bolsonaro, Witzel, pastor Everaldo, pastora Flodelis, Malafaia, são farinha do mesmo saco; têm a mesma origem política, a mesma origem religiosa herética e vão continuar poluindo as águas do rio Jordão.

JM Cunha Santos

Há, na Operação “Três do Mesmo”, mais que o simples afastamento do governador Wilson Witzel por seis meses e a prisão do pastor Everaldo, prócer desse novo evangelismo de extrema direita que cultua a corrupção, o armamentismo, o assassinato e até o incesto, conforme restou demonstrado pelas relações da pastora Flordelis com seu genro e filhos adotivos no correr das investigações sobre a execução sumária de seu marido, o também pastor Anderson do Carmo.

O pastor Everaldo é, sim, um velho conhecido nas crônicas da corrupção; o Rio de Janeiro está, sim, mergulhado num mar de corrupção a pelo menos duas décadas. E a gula de pastores evangélicos por dinheiro e poder acentuou-se a todos os limites com o governo Jair Bolsonaro, a ponto de não mais se saber o que é crime e o que é oração no universo de uma nação até a bem pouco tempo aparentemente dedicada a salvar almas para Deus e combater o pecado. Em suma, o séquito bolsonarista de Malafaia está afundando a nação evangélica brasileira num oceano de tristezas, repulsas e decepções.

Mas Witzel e Everaldo não estão sendo punidos por seus crimes; estão sendo punidos por ousar desafiar o “Messias” prometido de metralhadora em punho, Jair Bolsonaro. São farinha do mesmo saco, têm a mesma origem política, a mesma origem religiosa herética e vão continuar poluindo com seus batismos as águas do rio Jordão.

O senhor presidente conseguiu, finalmente, na proximidade dos dois anos de mandato, estruturar sua polícia política, sonho embrionário de todo extremista de direita. Com o concurso de procuradores nada confiáveis, de uma Justiça que patina entre o Bem e o Mal, Bolsonaro tira do caminho mais uma ameaça à sua reeleição. A primeira foi Sérgio Moro, a segunda Wilson Witzel e a terceira poderá ser qualquer um dos governadores que, em oposição ou dissidência, ameaçam sua hegemonia político-eleitoral.

A prisão do pastor Everaldo e o afastamento do governador Wilson Witzel, portanto, são parte de uma muito bem articulada perseguição política e não de uma decisão de Justiça. As companhias do senhor presidente – os milicianos como Fabrício Queiroz e Adriano de Nóbrega, os fisiológicos do Centrão, os pastores corrompidos, os mercenários da extrema direita como Sara Geromini, os criminosos como Flordelis, os rachadistas achocolatados como Flávio Bolsonaro, não permitem a ninguém achar que lhe caiba no coração algum ideal de Justiça. Ele já tem sua polícia política e os principais inimigos de sua reeleição são os governadores todos do Brasil, inocentes ou culpados. Os mesmos governadores que, no curso da pandemia de covid-19, descobriram as enormidades da ingerência e da crueldade presidencial para com o povo brasileiro.

Pastor Everaldo, um dos chefes do esquema de Witzel, batizou Bolsonaro no Rio Jordão

247 – Em 12 de maio de 2016, enquanto o Senado pegava fogo com a votação do afastamento da presidente Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro mergulhava nas águas do Rio Jordão, no nordeste de Israel. Lá, foi batizado na igreja Assembleia de Deus pelo Pastor Everaldo, agora preso como um dos comandantes do esquema de corrupção de Wilson Witzel no Rio.

Num vídeo de pouco mais de 40 segundos de duração, espalhado pela assessoria do então parlamentar de extrema-direita, era possível ver Bolsonaro, que se diz católico, vestindo uma túnica branca. Na época, Bolsonaro estava no PSC.

A cena chega a ser patética. Ele é chamado pelo pastor Everaldo, presidente do PSC e responsável pela cerimônia e logo tem início o batismo:

– E aí, Bolsonaro, você acredita que Jesus é o filho de Deus?

– Acredito.

– Você crê que Ele morreu na cruz?

– Sim.

– Que Ele ressuscitou?

– Sim.

– Está vivo para todo o sempre?

– Sim

– É o salvador da humanidade?

– Sim.

– Mediante a sua confissão pública, eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Depois de mergulhar Bolsonaro nas águas, o pastor faz uma brincadeira.

– Peso pesado (risadas) – diz.

O deputado, então, se afasta agradecendo os aplausos:

– Obrigado, obrigado.

Bolsonaro filiou-se ao PSC em março de 2016, dois meses antes de ser batizado em Israel. O partido foi o responsável por apresentar o ex-capitão como pré-candidato à Presidência da República para 2018. “Recebo a indicação como pré-candidato à Presidência da República pelo PSC como missão. Vamos afinar o discurso, mas pode ter certeza que o direcionamento será para a direita”, disse Bolsonaro, na época.

Ex-deputado, Everaldo tem um longo histórico de relação com o clã Bolsonaro, mas virou desafeto após o rompimento de relações entre o presidente e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

O Pastor Everaldo é um velho conhecido de esquemas fisiológicos no estado. Presidente do PSC desde 2015, onde foi companheiro de partido de Jair Bolsonaro até 2018, Everaldo foi chefe da Casa Civil de Antonhy Garotinho. Naquele tempo, a partir de 1999, formou uma parceria com o Eduardo Cunha.

Um dos feudos que Everaldo passou a dividir com Cunha era a deficitária, mas gigante, Cedae, a estatal de águas e esgotos do estado, informa Lauro Jardim: “No governo Witzel, o guloso Everaldo recebeu a Cedae como um presente do governador hoje afastado: pôde nomear à vontade e cuidar da estatal ao seu modo. A Cedae é deficitária e há anos está na fila para ser privatizada, mas os governadores sempre arranjam um jeito de empurrar com a barriga o processo”.

Na delação da Odebrecht, Everaldo aparece como tendo recebido R$ 6 milhões da empreiteira para que, em 2016, quando foi candidato a presidente da República, jogar sua candidatura a favor de Aécio Neves.

“Que tipo de “gente” é capaz de agredir uma família em luto”, indaga o governador Flávio Dino

JM Cunha Santos

A pungente pergunta do governador do Maranhão, Flávio Dino, ante a perplexidade geral que causou o uso político da morte de seu pai, o jornalista e advogado Sálvio Dino, é mais um alerta contra o ódio que nasceu no Brasil junto com a eleição do presidente Jair Bolsonaro. O ódio que nestes quase dois anos circula nas redes sociais, que pula e explode em nossas caras todos os dias e que a gente não sabia que existia aqui.

O ódio contamina, com a mesma velocidade de um vírus. Não são pessoas. São os mesmo e velhos sicários de Mefistófeles arrombando as portarias do inferno para instalar o poder do terror e a desumanidade nos corações brasileiros. Só querem magoar, ferir, matar, humilhar, desrespeitar, injuriar, infamar, saciar a sede de sangue que sempre inflamou suas gargantas e lhes faz tossir as secreções que habitam suas almas.

Que tipo de gente é essa, se acaso é gente? Quatro armas para cada brasileiro. Cem cartuchos para cada um. Degola moral, degola carnal e essa é a política que assiste aos criminosos no entorno do poder.

O ódio acima de tudo. Acima da dignidade humana, acima da solidariedade, da piedade, do direito à vida, do amor ao próximo. O ódio, a arma que usam para lutar contra os homens e contra Deus.

E isso faz solidão, isso faz desesperança, faz descrer da humanidade. Isso faz em nós uma dor além da carne e ofusca nossa capacidade de entendimento: que mórbido e diabólico prazer é esse que sentem no sofrimento alheio?

À sua comovente indagação, o governador acrescenta: que tipo de gente é capaz de usar uma foto de um velório de 2018 como sendo o do meu pai para me agredir? Para constatar, em seguida, o que parece translucido a toda a humanidade: “Já vi muitos tipos de criminosos, mas ainda me impressiono com o que estão transformando a política brasileira”.

E essa é a gente da xenofobia, do supremacismo, do racismo, da tortura, do fascismo, da eliminação física, da pistolagem, da impiedade. Não há nada a se esperar de bom de gente assim.

Essa é a gente que, infelizmente, hoje governa o Brasil.

A segunda alma

JM Cunha Santos

Hora de devolver a alma.

Mas não a carreguem entre pedras

que é frágil e escorrega no limo

não deixem que passe entre supremacistas

que é frágil e suja fácil e emborca ao sabor do vento

Não é uma alma qualquer; é uma alma suada

que se banhou em tanques de justiça

navegou nos mares de Camões, enfrentou dragões

casou-se com divindades no mar Egeu

amasiou-se com pitonisas durante a borrasca

uma alma estranha que nunca obedeceu ordens

e quando se sentiu sozinha não teve dúvidas e beijou a solidão

Hora de devolver a alma.

Não a carreguem, entanto, entre tiranos

não permitam que assista tiroteios no meio da tarde

que se trata de uma alma muito antiga

que enfrentou os faraós no Egito

que discursou contra os césares de Roma

e se juntou aos filhos da terra quando os tratores e os rifles chegaram

Não é uma alma qualquer; é uma alma em muitos corpos

que foi entregue aos meninos para que brincassem de assombração

uma alma que nunca dormiu, nem acordou, sonhou apenas

que esteve com os gatos nos telhados, com os pássaros no sol

e quando sentiu o chão lhe faltar aos pés construiu seu próprio horizonte

Essa é a minha segunda alma. Eu a entrego e devolvo limpa

Não a deixem aqui que já lhe cansa estar no mundoLevem com cuidado e entreguem descascada e pura nas mãos do senhor Deus

Deputado entra com representação para perda de mandato de Flordelis por quebra de decoro

O deputado Léo Motta (PSL-MG) apresentou representação à Mesa da Câmara para que seja encaminhado ao Conselho de Ética pedido de perda de mandato da deputada Flordelis (PSD-RJ) por quebra de decoro parlamentar. A deputada é apontada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, morto com mais de trinta tiros em julho do ano passado.

“Diante da avalanche de provas contra a Deputada Flordelis, fica evidente que a parlamentar não tem condições de permanecer no cargo para o qual foi eleita, tampouco exercer os papéis inerentes à vida política”, justifica Motta.

A denúncia aponta que a deputada arquitetou a morte do marido, além de ter arregimentado, incentivado e convencido os filhos a participarem do crime. Flordelis foi suspensa pelo partido, após a prisão dos filhos e neta. Ela não pôde ser presa por causa da imunidade parlamentar.

De acordo com a representação, a deputada Flordelis ” sempre procurou passar uma imagem de mulher cristã, comprometida com a vocação de adotar filhos e preocupada com a família, enquanto ao mesmo tempo, tinha uma postura que, a serem comprovadas as denúncias do inquérito policial, denota um coração perverso e inclinado ao crime, o que, por si só, se constitui em quebra do decoro parlamentar”.

Na segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) indicou que os procedimentos que serão adotados ainda serão estudados.

— Se o Judiciário pedir o afastamento, vamos decidir. Em relação ao processo, tenho que analisar para que a Câmara avalie que providências tomar — disse Maia.

Caso o pedido seja analisado pelo Conselho de Ética, se houver decisão do colegiado pela cassação do mandato da deputada, o plenário ainda precisa referendar a decisão.

Deputado entra com representação para perda de mandato de Flordelis por quebra de decoro

O deputado Léo Motta (PSL-MG) apresentou representação à Mesa da Câmara para que seja encaminhado ao Conselho de Ética pedido de perda de mandato da deputada Flordelis (PSD-RJ) por quebra de decoro parlamentar. A deputada é apontada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, morto com mais de trinta tiros em julho do ano passado.

“Diante da avalanche de provas contra a Deputada Flordelis, fica evidente que a parlamentar não tem condições de permanecer no cargo para o qual foi eleita, tampouco exercer os papéis inerentes à vida política”, justifica Motta.

A denúncia aponta que a deputada arquitetou a morte do marido, além de ter arregimentado, incentivado e convencido os filhos a participarem do crime. Flordelis foi suspensa pelo partido, após a prisão dos filhos e neta. Ela não pôde ser presa por causa da imunidade parlamentar.

De acordo com a representação, a deputada Flordelis ” sempre procurou passar uma imagem de mulher cristã, comprometida com a vocação de adotar filhos e preocupada com a família, enquanto ao mesmo tempo, tinha uma postura que, a serem comprovadas as denúncias do inquérito policial, denota um coração perverso e inclinado ao crime, o que, por si só, se constitui em quebra do decoro parlamentar”.

Na segunda-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) indicou que os procedimentos que serão adotados ainda serão estudados.

— Se o Judiciário pedir o afastamento, vamos decidir. Em relação ao processo, tenho que analisar para que a Câmara avalie que providências tomar — disse Maia.

Caso o pedido seja analisado pelo Conselho de Ética, se houver decisão do colegiado pela cassação do mandato da deputada, o plenário ainda precisa referendar a decisão.

Inquérito Sorológico comprova baixa taxa de letalidade por Covid-19 no Maranhão

O Governo do Maranhão, através da Secretaria de Estado da Saúde (SES), divulgou nesta terça-feira (25), durante entrevista coletiva, o resultado do Inquérito Sorológico realizado em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) para avaliar o cenário atual da pandemia no estado. O estudo evidenciou como as ações de enfretamento a Covid-19 impactaram em baixa letalidade, visto que a estimativa de infecção seja de mais de 2,8 milhões maranhenses, mais de 40% da população.  

De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, mesmo com parte da população apresentando anticorpos contra a Covid-19, o resultado do estudo não indica imunidade coletiva. “Nesta fase já não se pode falar em imunidade de rebanho. Já temos conhecimento de um caso em Hong Kong de reinfecção, também soubemos de situações semelhantes na Bélgica e na Holanda. Devemos ter cuidados com esses casos de reinfecção, não quer dizer que haverá reinfecção de todos os casos, mas é possível, por isso não poderemos nos descuidar sobre as medidas de prevenção, distanciamento social, uso de máscaras”, disse o secretário. 

O professor titular do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e coordenador geral do Inquérito Sorológico, Antônio Augusto Moura da Silva, destacou que a taxa de letalidade registrada no Maranhão foi mais baixa que a maioria dos estudos realizados no mundo. 

“Para calcularmos a letalidade corretamente, o numerador precisa ser o número de óbitos e o denominador precisa ser o número de infecções e a gente só consegue estimar isso, com o estudo populacional de soro prevalência. Calculamos pelo número de óbitos que ocorreram até o dia 8 de agosto, último dia de coleta da pesquisa. A taxa foi de um óbito para cada mil infectados e se levarmos em conta o atraso de notificação e o sub registro essa letalidade vai ser no máximo 2 a cada mil. E continua sendo uma das mais baixas do mundo”, avaliou o coordenador geral.  

Conforme o estudo, a prevalência de anticorpos para a Covid-19 no Maranhão é de 40,4%, estimando que mais de 2.877.454 de pessoas já tenham tido contato com o vírus SARS-CoV-2 no estado. A prevalência foi mais elevada nos municípios de médio porte, de 20 a 100 mil habitantes, com 47,6% e mais baixa nos municípios de pequeno porte, com menos de 20 mil habitantes, com 31%. Nos municípios da Ilha de São Luís, a prevalência foi de 38,9%, já nos demais municípios de grande porte, com mais de 100 mil habitantes, a prevalência foi de 35,2%.  

O relatório também mostrou que tanto o isolamento social quanto o uso de máscaras diminuem a probabilidade de infecção. No grupo das pessoas que mantiveram o isolamento social desde o início da pandemia, apenas 34% foram contaminados, enquanto 44,3% dos que não mantinham o isolamento tiveram contato com a Covid-19.

O estudo destaca que é possível que os habitantes de municípios de médio porte tenham tido mais dificuldade em aderir às medidas de prevenção não farmacológicas quando comparados aos de grande porte e que tenham tido maior fluxo de visitantes que os de pequeno porte, o que pode ter contribuído para a maior prevalência de resultados positivos.

Chefe do Setor da Biologia Molecular do Laboratório Central do Estado (Lacen/MA) e um dos coordenadores do Inquérito Sorológico, Lídio Gonçalves, destaca o envolvimento de mais de 200 profissionais da área de saúde na realização do inquérito e a assertividade dos dados.  

“A escolha do tipo da amostra e do tipo de exame realizado, dá uma grande credibilidade ao estudo, já que a sensibilidade do teste sorológico gira em torno de 90% e a especificidade acima de 99%. Isso gera um parâmetro muito importante, o quanto a probabilidade daquele indivíduo que é positivo, ser de fato positivo, estimando uma probabilidade em torno de 99% de confiança em nossos dados’, pontuou Lídio Gonçalves. 

Durante o evento, o secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, anunciou a realização de uma nova fase do Inquérito Sorológico. “Daqui há cerca de 45 dias já teremos a realização de um segundo Inquérito Sorológico, desta vez com amostra ainda maior. Isso está sendo estudado entre as instituições, para continuar entendendo o comportamento e a prevalência da doença no Estado do Maranhão”, afirmou o secretário.

O resultado completo do inquérito está disponível no site da Secretaria de Estado da Saúde (SES), em http://www.saude.ma.gov.br. 

Prevalência segundo escolaridade

Estatisticamente, não houve diferença na prevalência de anticorpos contra o vírus SARS-CoV-2 por raça e por renda familiar. Mas, houve diferença na prevalência segundo escolaridade e para o número de moradores no domicílio. No grupo de escolaridade até o ensino fundamental, a prevalência foi de 40,9%, já entre as pessoas que cursaram até o ensino médio, a prevalência foi de 46,2% e entre os que cursaram até o ensino superior, a taxa foi de 27,5%. 

As prevalências foram maiores em domicílios com maior número de pessoas, acima de 2 moradores.

Esses resultados indicaram relação inversa da prevalência dos anticorpos investigados com a escolaridade mais elevada e com menor número de moradores, sugerindo que desigualdades sociais e composição do número de moradores nos domicílios podem ter maior influência na exposição ao SARS-CoV-2. 

Prevalência segundo medidas de prevenção

A prevalência de adesão às medidas não farmacológicas de proteção à exposição ao vírus foi investigada considerando a prática no início da pandemia e no último mês, na população geral e entre os indivíduos com resultado do teste positivo. Houve redução na prevalência de adesão às medidas de controle entre os dois momentos investigados.  

A maior redução foi no isolamento social, 15,0%, e o uso de máscara teve redução de 5,9%. Apesar disso, o uso de máscara se manteve como a medida mais utilizada no último mês com 55,5%. O isolamento social foi a prática que apresentou a menor adesão no último mês, apenas 37,4%. 

Entre os indivíduos com resultado de teste positivo, todas as prevalências das medidas não farmacológicas de prevenção à infecção pelo vírus foram mais baixas do que as estimadas para a população geral, tanto no início da epidemia quanto no último mês. Houve pouca diferença entre as prevalências, apontando para pequena mudança no comportamento após a infecção. 

Prevalência segundo sintomas e comorbidades

Todos os sintomas referidos até 15 dias antes da realização da pesquisa foram significativamente mais prevalentes entre os indivíduos com teste positivo para o novo coronavírus, 26% dos indivíduos com teste positivo eram assintomáticos. Na investigação dos sintomas mais frequentemente apresentados, os mais prevalentes foram perda do olfato (49,5%), perda do paladar (47,7%), febre (45,6%), dor de cabeça (45,4%), seguidos de dor muscular (43,6%) e fadiga (41,1%). A maior parte dos indivíduos apresentou mais de três sintomas (62,2%). 

Dentre as comorbidades investigadas durante o inquérito, as mais relatadas pelos indivíduos soropositivos foram hipertensão arterial (19,5%) e diabetes (7,8%).

Prefeito Edivaldo lamenta falecimento de Sálvio Dino e decreta luto oficial de três dias

Por meio de suas redes sociais o prefeito Edivaldo Holanda Junior manifestou sua solidariedade ao governador Flávio Dino pelo falecimento do seu pai, o membro da Academia Maranhense de Letras, ex-deputado estadual, ex-prefeito do município de João Lisboa e ex-vereador de São Luís, Sálvio Dino.

“Não há palavras que possam amenizar a dor neste momento de profunda tristeza, mas rogamos a Deus conforto e consolo a todos os familiares e amigos”, disse o prefeito de São Luís.

Edivaldo decretou luto oficial de três dias no município de São Luís “em memória de Sálvio Dino”, disse em seus perfis nas redes sociais.

Em nota oficial divulgada à imprensa Edivaldo destacou a trajetória política de Sálvio Dino, que iniciou sua trajetória pública como vereador de São Luís em 1954, sendo eleito para dois mandatos, além de ter sido eleito deputado estadual por duas vezes e prefeito do município de João Lisboa (1988 e 1996).

Edivaldo também destacou a vida literária de Sálvio Dino, que foi membro da Academia Maranhense de Letras, tendo publicado 13 obras.

Othelino Neto decreta luto oficial pelo falecimento do advogado e jornalista Sálvio Dino

O presidente da Assembleia do Estado do Maranhão, deputado Othelino Neto (PC do B), decretou luto oficial de três dias pelo falecimento do ex-deputado estadual e procurador aposentado Sálvio Dino, ocorrido nesta segunda-feira (24), em São Luís.

Pai do governador do Maranhão, Flávio Dino, do procurador da República Nicolau Dino, do advogado Sálvio Dino Júnior e do empresário Saulo Dino, o jornalista, escritor e advogado Sálvio Dino é natural de Grajaú (MA) e membro da Academia Maranhense de Letras, onde ocupava a cadeira n° 32. Foi fundador da Academia Imperatrizense de Letra, da qual foi vice-presidente em 1991/1992.

Sálvio Dino também teve destacada trajetória na política maranhense. Foi eleito vereador de São Luís em 1954 e reeleito em 1958. Em 1962, elegeu-se deputado estadual do Maranhão, tendo sido cassado, em 1964, pelo golpe militar. Em 1974, foi novamente eleito deputado estadual e prefeito do município de João Lisboa no período de 1989 a 1997.

Em Nota de Pesar, a Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão manifestou solidariedade e pêsames à família enlutada.
 NOTA DE PESAR

A Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão manifesta profundo pesar pelo falecimento do ex-deputado estadual e procurador aposentado Sálvio Dino, pai do governador Flávio Dino (PCdoB), ocorrido nesta segunda-feira (24), em São Luís.

Natural de Grajaú (MA), Sálvio Dino era jornalista, advogado e escritor. Membro da Academia Maranhense de Letras, ocupava a cadeira n° 32. Foi fundador da Academia Imperatrizense de Letra, da qual foi vice-presidente em 1991/1992.

Sálvio Dino também teve destacada trajetória na política maranhense. Foi eleito vereador de São Luís em 1954 e reeleito em 1958. Em 1962, elegeu-se deputado estadual do Maranhão, tendo sido cassado, em 1964, pelo golpe militar. Em 1974, foi novamente eleito deputado estadual e prefeito do município de João Lisboa no período de 1989 a 1997.

Além do governador Flávio Dino, Sálvio Dino era pai do procurador da República, Nicolau Dino, do advogado Sálvio Dino Júnior e do empresário Saulo Dino. Era casado com Iolete Aranha de Castro e Costa. Neste momento de dor pela perda do ente querido, a Assembleia Legislativa solidariza-se com os familiares e amigos, a quem manifesta sinceros pêsames.


Deputado Othelino Neto
Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão