Eles acham mesmo que com insultos, cuspe na boca e uma arma nas mãos estão seguindo o evangelho de Jesus Cristo. E eu acho que já é hora de chamar a polícia.
JM Cunha Santos

O episódio de um grupo de bolsonaristas atacando enfermeiros que homenageavam colegas que deram as próprias vidas para salvar vítimas do coronavírus, não deve ser encarado pelos profissionais da saúde (nem por ninguém) como um fato isolado à conta de um grupo aleatório de ensandecidos.
A coisa pode ser muito pior. Muitos deles são verdadeiros robots sem alma que, sem nenhuma dúvida, foram submetidos a um virulento processo de lavagem cerebral que os transforma em animais furiosos, induzidos por uma espécie de inteligência artificial a que obedecem sem qualquer vestígio de objeção; os deixam dispostos a tudo, inclusive a ferir e matar. Tanto que cuspiram no rosto de uma jovem ciclista que ousou concordar com os enfermeiros vilmente ultrajados quando homenageavam seus mortos.
Quem os vê em manifestações no noticiário da televisão ou lê o que escrevem nas redes sociais, percebe que estão tomados de uma neurose obsessiva que os obriga a ver inimigos a serem eliminados em qualquer um que se oponha às ideias maniqueístas concebidas por um séquito de extremados intransigentes e consagradas na filosofia do olavismo criminoso. No caso, a visão de que a riqueza seria o bem e a pobreza o mal.
Se duvidam de mim, ou acham que estou exagerando, perguntem-se porque, em meio a uma pandemia que já ceifou as vidas de quase 7 mil pessoas no país e contaminou mais de 96 mil, tantos deles estão pregando uma guerra civil em que brasileiros se matem indiscriminadamente em praça pública. “Comunistas só entendem a linguagem dos fuzis”, estava numa faixa em uma dessas manifestações. Entendendo-se aqui que comunista é qualquer um que não esteja de acordo com suas alucinações, pouco importa se estão morrendo ou não infectados por um vírus em camas de hospitais.
A carga de ódio que vem de dentro deles é algo tão grotesco, visível e desumano que não pode se cingir aos meros aspectos das diferenças políticas. É como se fizessem parte de uma seita sanguinária prestes a explodir em atos intempestivos de carnificina contra todo e qualquer um que julguem contrário às sentenças a que são submetidos no decurso da robotização.
Já entraram em processo de idolatria desvairada e este é o primeiro passo para a reeducação em crenças violentas, homicidas e suicidas. Acham mesmo que com insultos, cuspe na boca e uma arma nas mãos estão seguindo o evangelho de Jesus Cristo. E eu acho que já é hora de chamar a polícia. Um deles escreveu em comentário a uma de minhas postagens: “ainda bem que meu presidente me deu o direito de usar um revolver”.
Em suma, estão despencando em alta velocidade no abismo sem volta do fanatismo sanguinário e da radicalização alucinada.
Por isso escolhem inimigos à revelia: uma hora são os comunistas, outra os políticos e a imprensa, em outra ainda os advogados e juízes e, agora, profissionais da saúde que, muitas vezes em sacrifício de suas próprias vidas, lutam para salvar o povo do Brasil dessa que é uma das mais letais viroses da história da humanidade.
Por é que suspeito que há pessoas financiando com altas somas de recursos esse processo de aniquilamento mental.
E a maioria dos pais de família sequer percebe o que essa meia dúzia de indisfarçáveis sicários do demônio está fazendo com seus filhos.
Depois não digam que não avisei.








